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viernes, 18 de mayo de 2018

"Genocídio" à vista? - Edy Lobo


"Genocídio" à vista? - Edy Lobo
Edy Lobo - Opinião.jpg
Rapidamente desligo-me. Buscando algum conhecimento pelas redes sociais, eis que me dou com dois léxicos com grafias diferentes mas significados semelhantes: Morrer e Falecer. O primeiro, segundo um linguista, acarreta-nos à uma morte violenta, quando o segundo acontece de forma natural. Sem mais demoras, já escolhi: Quero Falecer.

Mas parece que morrer ou falecer cá na banda é negócio. Morre-se muito. Com a idade que tenho, confesso ter tido o conhecimento de mais funerais de entes próximos e entes próximos dos próximos do que de festas e convívios. Isto não pode ser normal.

Que vamos todos morrer ou falecer, segundo o tal linguista, isto é um facto mas apressar a ida sem volta, alheia, e criar condições para mortes lentas, isto já é desumano.

Temos, em Luanda, 12 hospitais públicos, não podendo precisar o número de Centros de Saúde, e 9 cemitérios registados, sem puder também auferir em números os clandestinos. Um número quase capicuas em factos reais. Quantos hospitais fazem os seus serviços com deontologia? Será que os 12 que temos funcionam como deve ser? Se até há falta de médicos...

Quanto aos hospitais tenho as minhas dúvidas mas se nos questionarmos se os serviços nos cemitérios têm sido mais solicitados, a resposta seria obviamente que sim. "Visitar" nossos hospitais em estado de saúde duvidoso é aconselhável começar já a fazer um "bizno" com um coveiro.

E o agravante: Dos 9 cemitérios, já existentes, mais 2 serão construídos: Kilamba e Sequele, segundo foi noticiado. Atenção. Só pode ser o recado de um facto: SERÁ UM "GENOCÍDIO" À VISTA?. Cemitério lá no Kilamba? Não pensaram antes em Hospital Geral, é já cemitério? Já devo imaginar porquê: Assim vão recomeçar a cobrar o pagamento das rendas, ou aumentar o valor da água, ou da luz e isto de certeza que vai levar muita gente à cova. Com o elevado número de "desempregados finos" que por lá habitam, isto vai dar em morte.

Será que mais uma geração está prestes a entrar para a história dos que "nasceram e fizeram "quase" nada?" Ilibar uns, por meio das responsabilizações contratuais e tirar benefícios por meio de tudo isto, não é o que se pede.

Se é para morrer e ser enterrado com dignidade, então sugiro que abram já as inscrições para os jazigos e campas de família. Haverá aderência significativa.

Oremos...!
www.unitaangola.org

Carta de protesto à TPA - Jovens organizados do Bengo


Fonte :Club-K
Carta de protesto à TPA - Jovens organizados do Bengo
Ernesto Bartolomeu e Ana Lemos TPA.jpg
Pensávamos que com a nova era inaugurada em Angola a 23 de Agosto de 2017, já se tivesse afastado o fantasma das “ordens superiores” na TPA! Engano nosso, pois, fomos vítimas da acção desse “oculto e todo-poderoso senhor”.

Os factos;

No sábado, dia 12 do corrente, sob o lema: “5 prédios não, centralidade sim”, um grupo de jovens da Província do Bengo organizou uma manifestação pacífica de protesto contra a construção de 212 apartamentos em 5 edifícios, em substituição da Centralidade anteriormente prevista, cuja primeira pedra foi lançada em Fevereiro de 2014, na vila de Caxito.



A TPA, convidada com antecedência para cobrir o acto, compareceu no local de concentração para a cobertura que lhe fora solicitada. No final da marcha, a TPA teve dificuldades de gravar a declaração dos manifestantes por problemas registados na sua câmara. Foi-nos então solicitado, pelos seus repórteres, que gravássemos a declaração com os outros órgãos de imprensa para depois gravar só com a TPA, enquanto se aguardava por outra câmara que vinha do Centro de Produção do Bengo que dista a sensivelmente 10 kms do local onde culminou a manifestação.



Para o nosso espanto, e já depois de desmembrado o pessoal, a câmara de recurso apresentou os mesmos problemas da anterior. Como era do interesse dos repórteres em noticiar o evento, solicitaram-nos que fôssemos ao Centro de Produção da TPA com cerca de dez manifestantes que ainda se encontravam no local no sentido de gravarmos lá a declaração. Pedido aceite, lá fomos nós. Já no Centro de Produção, juntou-se a nós a equipa da tv Zimbo que não foi a tempo de cobrir a manifestação.



A Tv Zimbo fez algumas entrevistas com os manifestantes, mas queriam também, como é óbvio, as imagens da marcha. Entretanto, solicitaram a gentileza da TPA, mas sem sucesso! Como também era do nosso interesse que as duas televisões dessem destaque a nossa manifestação, já que a mesma visava chamar a atenção das estruturas centrais do Executivo para o abandono a que está voltada a Província do Bengo, tentamos negociar com a TPA a cedência das imagens à Zimbo. Foi aí que nos informaram que por ordens do Director Paulo Julião, em Luanda, nem as imagens seriam cedidas à tv Zimbo, nem a reportagem passaria na TPA, como se confirmou no final. A tv Zimbo teve de se contentar

com imagens captadas pelos nossos telemóveis que, ainda assim, as passou no telejornal daquele mesmo dia.

Conclusão;

Não custa muito adivinhar que por pressão do Executivo da Governadora Mara Quiosa, que no dia anterior tinha feito sair uma nota sem fundamento legal, alegando falta de condições para a realização da manifestação, o Director Paulo Julião proibiu que a reportagem fosse enviada a Luanda para efeitos de notícia no telejornal.

Esse comportamento pouco abonatório em que a TPA continua, infelizmente, a enveredar, contrasta com os constantes pronunciamentos do Ministro da comunicação social, João Melo, sobre a necessidade de haver maior pluralismo nos órgãos de comunicação social públicos.

Da nossa parte, condenamos nos termos mais enérgicos o comportamento do Director Paulo Julião, pois contrasta com os princípios basilares do jornalismo e do verdadeiro Estado Democrático e de Direito que tarda em se construir em Angola.
www.unitaangola.org

Conselho Provincial da Juventude reúne-se com direcção da JURA


Conselho Provincial da Juventude reúne-se com direcção da JURA
CPJ e JURA em 17-05-2018.jpg
A comitiva dirigida pelo Isaías Kalunga Secretário Executivo do Conselho Provincial da Juventude de Luanda, preocupado com a situação dos projectos habitacionais, (geridos pela Imogestim - Luanda), emprego, formação técnico-profissional (geridos pelo ministério do emprego e segurança social) e as bolsas de estudos (geridas pelo INABE) foi apelar a Juventude da UNITA/JURA, a exigir mais os 30 por centos que os jovens têm direito.



Kalunga, tem agora visita com a direcção da Imogestim (Projectos de Luanda) para próxima semana onde vai discutir com os responsáveis daquela empresa.



Isaías Kalunga, tem visitas marcadas com as associações JUCARENT, Amigos da Cultura e a Associação dos Kuduristas de Angola.
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Carta de protesto à TPA - Jovens organizados do Bengo

Carta de protesto à TPA - Jovens organizados do Bengo
Ernesto Bartolomeu e Ana Lemos TPA.jpg
Pensávamos que com a nova era inaugurada em Angola a 23 de Agosto de 2017, já se tivesse afastado o fantasma das “ordens superiores” na TPA! Engano nosso, pois, fomos vítimas da acção desse “oculto e todo-poderoso senhor”.

Os factos;

No sábado, dia 12 do corrente, sob o lema: “5 prédios não, centralidade sim”, um grupo de jovens da Província do Bengo organizou uma manifestação pacífica de protesto contra a construção de 212 apartamentos em 5 edifícios, em substituição da Centralidade anteriormente prevista, cuja primeira pedra foi lançada em Fevereiro de 2014, na vila de Caxito.



A TPA, convidada com antecedência para cobrir o acto, compareceu no local de concentração para a cobertura que lhe fora solicitada. No final da marcha, a TPA teve dificuldades de gravar a declaração dos manifestantes por problemas registados na sua câmara. Foi-nos então solicitado, pelos seus repórteres, que gravássemos a declaração com os outros órgãos de imprensa para depois gravar só com a TPA, enquanto se aguardava por outra câmara que vinha do Centro de Produção do Bengo que dista a sensivelmente 10 kms do local onde culminou a manifestação.



Para o nosso espanto, e já depois de desmembrado o pessoal, a câmara de recurso apresentou os mesmos problemas da anterior. Como era do interesse dos repórteres em noticiar o evento, solicitaram-nos que fôssemos ao Centro de Produção da TPA com cerca de dez manifestantes que ainda se encontravam no local no sentido de gravarmos lá a declaração. Pedido aceite, lá fomos nós. Já no Centro de Produção, juntou-se a nós a equipa da tv Zimbo que não foi a tempo de cobrir a manifestação.



A Tv Zimbo fez algumas entrevistas com os manifestantes, mas queriam também, como é óbvio, as imagens da marcha. Entretanto, solicitaram a gentileza da TPA, mas sem sucesso! Como também era do nosso interesse que as duas televisões dessem destaque a nossa manifestação, já que a mesma visava chamar a atenção das estruturas centrais do Executivo para o abandono a que está voltada a Província do Bengo, tentamos negociar com a TPA a cedência das imagens à Zimbo. Foi aí que nos informaram que por ordens do Director Paulo Julião, em Luanda, nem as imagens seriam cedidas à tv Zimbo, nem a reportagem passaria na TPA, como se confirmou no final. A tv Zimbo teve de se contentar

com imagens captadas pelos nossos telemóveis que, ainda assim, as passou no telejornal daquele mesmo dia.

Conclusão;

Não custa muito adivinhar que por pressão do Executivo da Governadora Mara Quiosa, que no dia anterior tinha feito sair uma nota sem fundamento legal, alegando falta de condições para a realização da manifestação, o Director Paulo Julião proibiu que a reportagem fosse enviada a Luanda para efeitos de notícia no telejornal.

Esse comportamento pouco abonatório em que a TPA continua, infelizmente, a enveredar, contrasta com os constantes pronunciamentos do Ministro da comunicação social, João Melo, sobre a necessidade de haver maior pluralismo nos órgãos de comunicação social públicos.

Da nossa parte, condenamos nos termos mais enérgicos o comportamento do Director Paulo Julião, pois contrasta com os princípios basilares do jornalismo e do verdadeiro Estado Democrático e de Direito que tarda em se construir em Angola.
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Conselho Provincial da Juventude


Conselho Provincial da Juventude reúne-se com direcção da JURA
CPJ e JURA em 17-05-2018.jpg
A comitiva dirigida pelo Isaías Kalunga Secretário Executivo do Conselho Provincial da Juventude de Luanda, preocupado com a situação dos projectos habitacionais, (geridos pela Imogestim - Luanda), emprego, formação técnico-profissional (geridos pelo ministério do emprego e segurança social) e as bolsas de estudos (geridas pelo INABE) foi apelar a Juventude da UNITA/JURA, a exigir mais os 30 por centos que os jovens têm direito.



Kalunga, tem agora visita com a direcção da Imogestim (Projectos de Luanda) para próxima semana onde vai discutir com os responsáveis daquela empresa.



Isaías Kalunga, tem visitas marcadas com as associações JUCARENT, Amigos da Cultura e a Associação dos Kuduristas de Angola.
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Comunicado de Imprensa



Comunicado de Imprensa sobre a aprovação da proposta de lei da autoria do executivo
Deputados Seminar.jpg
O GRUPO Parlamentar da UNITA comunica a comunidade nacional e internacional que hoje, dia 17 de Maio de 2018, teve lugar, na Assembleia Nacional, um exercício que em nada dignifica o processo democrático angolano e representa um passo atrás, no que à luta pela transparência diz respeito.

Estavam em causa duas propostas legislativas sobre o retorno dos fundos desviados do erário público. A UNITA entende que os fundos em questão são do povo, que deviam regressar para o povo através dos cofres do Estado.

Paradoxalmente, o MPLA entende que esse devia retornar ao país para beneficiar, outra vez, aqueles que o desviaram.

O Grupo Parlamentar da UNITA submeteu a sua proposta imbuída de um espírito de reconciliação nacional, patriotismo e disponibilidade para, conjuntamente com outras forças políticas com assento parlamentar, se encontrarem melhores vias em defesa dos angolanos.

Não foi o entendimento do MPLA que, por via de conferências de imprensas importunas e desalinhadas com a verdade, pretendeu legitimar o roubo, contrariando toda a expectativa dos angolanos.

Com a aprovação da proposta de lei de repatriamento de recursos financeiros domiciliados no exterior da autoria do executivo, a partir de hoje, os angolanos vão ter de enfrentar a seguinte realidade: o dinheiro roubado durante anos e anos sob a capa falaciosa da tristemente célebre acumulação primitiva de capital comandada pelo então Presidente da República passa a ser propriedade legítima dos prevaricadores, os quais podem doravante dispor dele legalmente quando e onde quiserem, enquanto a esmagadora maioria dos angolanos vai continuar a sentir na carne e na alma os deficitários serviços que lhe são oferecidos, sobretudo na educação, na saúde, nas infraestruturas sociais, no mercado do emprego.

A UNITA reitera o seu compromisso para com os angolanos, na defesa do interesse nacional, na busca da transparência e das melhores práticas na gestão do que é público.

Para terminar, o Grupo Parlamentar da UNITA reitera a sua posição desde sempre defendida de que, sem quaisquer limitações, se deve proceder à transmissão em directo de todos os debates parlamentares.

Luanda, 17 de maio de 2018
O Grupo Parlamentar da UNITA


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 sobre a aprovação da proposta de lei da autoria do executivo
Deputados Seminar.jpg
O GRUPO Parlamentar da UNITA comunica a comunidade nacional e internacional que hoje, dia 17 de Maio de 2018, teve lugar, na Assembleia Nacional, um exercício que em nada dignifica o processo democrático angolano e representa um passo atrás, no que à luta pela transparência diz respeito.

Estavam em causa duas propostas legislativas sobre o retorno dos fundos desviados do erário público. A UNITA entende que os fundos em questão são do povo, que deviam regressar para o povo através dos cofres do Estado.

Paradoxalmente, o MPLA entende que esse devia retornar ao país para beneficiar, outra vez, aqueles que o desviaram.

O Grupo Parlamentar da UNITA submeteu a sua proposta imbuída de um espírito de reconciliação nacional, patriotismo e disponibilidade para, conjuntamente com outras forças políticas com assento parlamentar, se encontrarem melhores vias em defesa dos angolanos.

Não foi o entendimento do MPLA que, por via de conferências de imprensas importunas e desalinhadas com a verdade, pretendeu legitimar o roubo, contrariando toda a expectativa dos angolanos.

Com a aprovação da proposta de lei de repatriamento de recursos financeiros domiciliados no exterior da autoria do executivo, a partir de hoje, os angolanos vão ter de enfrentar a seguinte realidade: o dinheiro roubado durante anos e anos sob a capa falaciosa da tristemente célebre acumulação primitiva de capital comandada pelo então Presidente da República passa a ser propriedade legítima dos prevaricadores, os quais podem doravante dispor dele legalmente quando e onde quiserem, enquanto a esmagadora maioria dos angolanos vai continuar a sentir na carne e na alma os deficitários serviços que lhe são oferecidos, sobretudo na educação, na saúde, nas infraestruturas sociais, no mercado do emprego.

A UNITA reitera o seu compromisso para com os angolanos, na defesa do interesse nacional, na busca da transparência e das melhores práticas na gestão do que é público.

Para terminar, o Grupo Parlamentar da UNITA reitera a sua posição desde sempre defendida de que, sem quaisquer limitações, se deve proceder à transmissão em directo de todos os debates parlamentares.

Luanda, 17 de maio de 2018
O Grupo Parlamentar da UNITA


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Lei de repatriamento de capitais


UNITA diz que Lei de repatriamento de capitais vai perpetuar corrupção e roubalheira
Albertina Navitangolo-Deputada -UNITA.jpg
As principais forças políticas no Parlamento angolano continuaram a divergir na votação final global da lei de repatriamento de capitais proposta pelo Executivo.

Tal como se verificou nas discussões na especialidade, a lei foi votada com 133 votos do MPLA, uma abstenção da FNLA e 65 contra da UNITA, CASA-CE e PRS.

“Votamos contra porque aquela lei é claramente contra o desenvolvimento económico do país, vai continuar a beneficiar um pequeno grupo de angolanos que se enriqueceram ilicitamente, atrapalhar a concorrência de mercado e perpetuar a corrupção e roubalheira do erário público”, justificou a Deputada Albertina Navemba Ngolo do Grupo Parlamentar da UNITA.

A parlamentar que lamenta o facto de não ter havido qualquer conciliação entre as propostas do Executivo e da UNITA, diz esperar que as preocupações manifestadas pela UNITA quanto à salvaguarda dos interesses gerais de Angola e dos angolanos tenham respaldo na nova lei ora aprovada, na lei da probidade administrativa e no código penal.
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André Mendes de Carvalho pede anulação da aprovação


André Mendes de Carvalho pede anulação da aprovação
André Mendes de Carvalho Miau_ Deputado Casa-Ce.jpg
André Mendes de Carvalho, Presidente da bancada parlamentar da CASA-CE, que falava na sessão da votação final e global da lei de repatriamento de capitais pediu a anulação da aprovação das duas propostas, com vista a se aprofundar as discussões na especialidade já com as contribuições da sociedade civil.

De acordo com o politico da CASA-CE, a proposta de Lei do Governo, defendida no Parlamento pelo MPLA, favorece a corrupção e atenta contra a dignidade de cidadãos honestos.

Por seu turno, o líder da bancada Parlamenta do MPLA, defende que a proposta de Lei de repatriamento de recursos financeiros domiciliados no estrangeiro, aprovada hoje pelo o seu Partido na assembleia nacional, foi elaborada com base em contribuições de membros da sociedade civil e demais entidades privadas.

O Projecto dos camaradas, que a partir de hoje se torna Lei, concede um período de graça de seis meses para o repatriamento voluntário do dinheiro angolano que se encontra no estrangeiro.

Na sua declaração de voto, esta manhã no Parlamento, o chefe da bancada do MPLA, Salomão Xirimbimbi, assegurou que, o documento do seu Partido protege os interesses do Estado, respeita os angolanos e os princípios internacionais de combate branqueamento de capitais e terrorismo.
Entretanto, a UNITA, Partido que submeteu no Parlamento o seu projecto de Lei de regime extraordinário de regulação patrimonial, não prestou nenhuma declaração no tempo que é reservado a cada uma das bancadas parlamentares antes da votação final dos documentos. Igual postura foi adoptada pelo PRS, num claro sinal de voto contra.

Além da aprovação final global do projecto de Lei de repatriamento de capitais de recursos financeiros domiciliados no estrangeiro, os deputados a Assembleia Nacional, apreciaram e votaram também, as propostas de Leis de alteração do código penal e do investimento privado.
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Será o Presidente João Lourenço capaz de repor a verdade dos factos?

Será o Presidente João Lourenço capaz de repor
a verdade dos factos?
Tonet higino.jpg
A 19 de Maio de 1991 houve o primeiro acordo de Paz em Angola, entre a UNITA e o MPLA/Governo, no Alto Kauango. Principais protagonistas? Higino Carneiro, Ben Ben e William Tonet. Fez-se História que, desde essa altura, o regime de José Eduardo dos Santos tenta apagar. Não conseguiu. Não conseguirá.
Talvez agora, com um novo Presidente ao fim de 38 anos, a História de Angola deixe de ser a história fabricada por uma parte do MPLA. Não parece. É verdade que a cobra muda de pele mas não deixa de ser cobra.

Foi um acordo importante e natural, entre angolanos. William Tonet estava a cobrir a guerra dos 57 dias de cerco ao Luena, por parte das tropas da UNITA. Para ele não fazia sentido aquele conflito, na medida em que os políticos já se encontravam a negociar em Portugal, visando um acordo.

O prosseguimento da guerra poderia inviabilizar qualquer entendimento seguramente caso as tropas continuassem a procurar vantagens posicionais no teatro das operações e inocentes continuariam a morrer inutilmente.

Foi mesmo por acaso o “encontro rádio” com o general Mackenzie?

Foi por acaso. William Tonet estava preparado para enviar um trabalho para Washington, quando, de repente, teve lugar uma interferência. A voz do outro lado desafiou-o a não reportar só o lado governamental, pois a realidade era outra. O jornalista respondeu que não podia reportar o outro lado ao mesmo tempo, pois estava com as tropas governamentais.

Por isso, solicitou então a permissão para ir para o lado onde estava a UNITA. A resposta não foi imediata porque requeria autorização superior. Voltou mais tarde dando conta do acordo.

William Tonet colocou a questão ao general Higino Carneiro, que considerava ser um amigo, e ele anuiu, mas só depois de muitas hesitações, por desconfiar que se podia tratar duma eventual armadilha, pois se acontecesse algo de mau ao então correspondente da Voz da América (VOA), o governo poderia ser responsabilizado. Mas, depois de alguma insistência do jornalista lá se realizou o combinado ao telefone e Tonet atravessou a linha de fogo, ao encontro do comando geral das FALA/UNITA.

William Tonet foi acompanhado pelas jornalistas Luísa Ribeiro da Lusa e Rosa Inguane de Moçambique que, não tendo participado da iniciativa, apenas testemunharam. Do outro lado, Tonet encontrou outro amigo, o general Ben Ben.

“Perguntei-lhe se não seria possível um cessar-fogo, já que estávamos a negociar em Portugal. Ele mostrou-se sensível à minha iniciativa e prometeu contactar Savimbi, que na altura estava no exterior de Angola”, recorda o jornalista.

Na madrugada do dia seguinte o próprio Jonas Savimbi liga a William Tonet para saber da sua ideia. Mostrou-se muito desconfiado e quase não acreditava na iniciativa, mas deu a sua primeira anuência e Tonet regressa ao lado das FAPLA para negociar com o general Higino e Sanjar, tendo igualmente de fazer o mesmo com o Presidente José Eduardo dos Santos

A ideia de William Tonet não foi uma intromissão, mas uma oportunidade para se calarem as armas. Tinha um argumento de peso para convencer os contendores e transmitir-lhes confiança. Não os trairia, pois era amigo dos generais dos dois lados: Ben Ben e Mackenzie da UNITA e Higino Carneiro e Sanjar do MPLA/Governo.

“Após quatro dias a ir e vir de um lado para o outro e de negociar com as respectivas lideranças conseguimos chegar a um acordo que satisfez as duas partes, E conseguimos parar com a guerra fratricida”, diz Tonet.

Os acordos de Bicesse tiveram lugar a 31 de Maio de 1991, menos que 15 dias depois das tréguas de Alto Kauango. Que benefícios vieram dessas tréguas?

“Os angolanos conheceram muitos benefícios, basta ver como tão rapidamente foi possível assinar em Bicesse, depois de os primeiros acordos de paz terem sido mediados por um angolano. Apesar de considerarem ter sido o de Bicesse, a história reza e continuará a rezar que nunca antes de Kauango os militares da UNITA e do MPLA se haviam sentado a uma mesa para assinar um acordo.

Alto Kauango foi a mãe de Bicesse, que o complexo de nacionalismo pretende apagar da história”, afirma William Tonet.

Sendo assim, por que razão ninguém fala dessa basilar e incontornável trégua?

“Quando se diz que ninguém fala, referem-se ao Governo, mas isso está no quadro da lógica da discriminação, tudo porque continuo com ideias próprias, sou um homem de esquerda, autóctone e com cultura do Sul. Logo a política luso-tropicalista surge a querer apagar acontecimentos históricos que não lhe digam respeito. Se fosse um estrangeiro ou um bajulador invertebrado este acontecimento nunca seria esquecido. Mas fico contente por termos emprestado a nossa modesta contribuição sem pretensões a honrarias. A minha maior medalha foi ter evitado a morte de muitos inocentes com aquele acto, que não considero meu, mas sim, nosso. Muitas pessoas conseguiram viver e outras sobreviver às balas e aos canhões. Isso é bom. Por outro lado o acordo está aí com 19 pontos para a posteridade, pois foi a partir do Alto Kauango que se estabeleceram os telefones vermelhos, as patrulhas mistas, reuniões conjuntas e outras questões militares sensíveis”, explica William Tonet.

Foto: William Tonet entre Ben Ben e Higino Carneiro
www.unitaangola.org